segunda-feira, julho 16, 2007

“Estabilizar com jogadores da casa”

Após dois anos atribulados, o Maia pretende reiniciar do zero mais uma época. José Carlos Cabral está convicto que à terceira será de vez e a aposta recai sobre atletas locais.


Em 2005/06 foi a indefinição que durou meses relativamente às obras de colocação de relvado sintético no campo. Na época seguinte, já com o novo tapete pronto a estrear, o Maia embarcou na aventura de tentar disputar um lugar no pódio no campeonato de São Miguel. Mas a estrutura abanou à medida que os jogadores mais influentes foram abandonando o barco, uns por motivos pessoais, outros por cansaço devido às longas viagens. O resultado de duas temporadas cheias de dificuldades é o desejo de navegar em águas calmas e não deixar-se levar por euforias desmedidas.DSP: Na época 2005/06, sem campo para treinar e jogar, o Maia conseguiu mais e melhores resultados do que em 2006/07, temporada em que estreou o relvado sintético. Não tendo sido o desempenho que se esperava, que explicações encontra para o insucesso?José Carlos Cabral (JCC): Sem dúvida! Para mais quando a pré-época dizia que podíamos ser um dos candidatos ao título, embora fosse colocando alguma água na fervura pois uma coisa é formarmos uma equipa para sermos candidatos, outra coisa é termos estruturas próprias e o suporte que um clube tem de ter para ser campeão. Tudo apontava que o Maia podia ter feito a sua melhor época de sempre e estávamos convencidos disso.Mas as coisas começaram muito rapidamente a ganhar contornos diferentes ainda antes de se iniciar a temporada. A saída do Kitó, por motivos pessoais, foi fundamental na medida em que se tratava de um atleta imprescindível na nossa estratégia defensiva. De seguida, quatro atletas da freguesia com que contávamos optaram por sair e enveredar pela caça e aí ficamos com o plantel reduzido.À medida que o Inverno se foi aproximando os jogadores começaram a queixar-se das viagens para a Maia e essa situação foi deixando-os cansados e desgastados. O reflexo disso foi deixarem de aparecer aos treinos e vários deles desistiram. Além disso, há a registar casos de indisciplina e passamos a ser uma equipa normal que terminou a época com imensas dificuldades.Se não tivéssemos uma equipa de juniores no futsal certamente não teríamos terminado a temporada, pois tivemos de recorrer a quatro jovens para compor o plantel sénior. O grande espírito de entre-ajuda é que permitiu levar a época até ao fim.DSP: Foi uma temporada para esquecer?JCC: Em termos desportivos sim, mas existem outras situações que poderemos recordar e que nos poderão ser úteis no futuro. Refiro-me à questão do Maia nos próximos três ou quatro anos optar por não pagar qualquer gratificação aos jogadores pois existem muitos atletas em São Miguel que são extremamente oportunistas. Ou seja, aproveitam-se das situações dos clubes conforme lhes convém: se lhes agrada, estão; se não lhes agrada, vão embora sem qualquer justificação. E abandonam o barco com a maior das facilidades e sem o mínimo de responsabilidade.DSP: São essas situações que importa não repetir…JCC: Claro! O Maia tem um projecto delineado que visa apostar forte na equipa júnior de modo a integrar dentro de poucos anos diversos atletas nos seniores. Acreditamos que será uma formação competitiva, reforçada com alguns elementos. Dentro de dois anos contamos ter dez juniores nos seniores que serão o suporte do clube no futuro próximo.DSP: O fracasso desportivo também se reflecte com longas paragens competitivas no decorrer da temporada. É mais um factor prejudicial para os jogadores e um aspecto a rever?JCC: Eu espero que haja uma maior planificação nas provas de ilha. O Maia, porque tem sido eliminado na primeira eliminatória da Taça Primavera, já ficou 42 dias sem competição entre os meses de Março e Abril. É uma situação terrível para uma equipa e uma melhor organização das competições poderia anular. São casos que no futebol regional não deveriam existir pois desmotivam os jogadores e quebram o ritmo competitivo.DSP: Será recomeçar do zero pelo segundo ano consecutivo…JCC: Quando o Maia inaugurou o campo com relvado sintético pretendeu, nessa altura, dar um passo em frente. Era objectivo conciliar as melhores condições com alguns reforços de nomeada e tentar alcançar uma classificação briosa, de preferência entre os três primeiros classificados do campeonato. Depois, com o campo novo e com uma boa equipa, poderíamos ter mais espectadores nos jogos. Infelizmente tudo o que tínhamos previsto saiu totalmente ao contrário e por isso o Maia, hoje, terá de partir novamente do zero e com os pés bem assentes no chão.DSP: No presente, o objectivo passa unicamente por disputar o jogo pelo jogo sem qualquer ambição em termos de classificação?JCC: Exactamente. Mas estou em crer que com os jogadores que vão fazer parte do plantel sénior poderemos ter uma equipa com atitude e qualquer jogo que disputar fá-lo-á com o objectivo de alcançar o melhor resultado possível. Não será fácil pois outros adversários estão a reforçar-se bem, mas muitas vezes não é com craques que se conseguem bons resultados. Nós próprios já sentimos isso na pele, pois há dois anos conseguimos melhores resultados em condições mais precárias do que aquelas que tivemos na época finda.DSP: Em termos de orgânica, a estrutura mantém-se praticamente a mesma. É sinónimo de que em treinadores que ganham não se mexe?JCC: Antes de responder, gostaria de realçar uma situação: eu irei continuar como treinador da equipa sénior, mas também irei acumular as funções de coordenador de todo o futebol do clube. Devo realçar que o Maia está bem servido de treinadores. Desde as escolinhas até aos juniores, passando pelo futsal, onde inclusive o José Dionísio já leva dois anos consecutivos a treinar os juvenis sem ter sofrido ainda qualquer derrota e tendo ganho tudo o que havia para ganhar nos Açores, vamos manter as apostas.DSP: A médio/longo prazo que objectivos estão no horizonte do clube?JCC: Pretendemos estabilizar o plantel sénior com jogadores da Maia e freguesias limítrofes pois não é fácil um atleta de Ponta Delgada deslocar-se quatro vezes por semana para treinar. É cansativo e desgastante pelo que vamos apostar nos atletas da casa e dando-lhes todas as condições para que possam singrar.Acácio Mateus/Tito Cardoso

2 Comments:

Anonymous Anónimo said...

tem toda a razao do comentario mas uma coisa é certa quando os jogadores teem um contrato a receber dinheiro não se empenham nos jogos uma vez esta garantido e quando o clube falha com as suas obrigações clarp que os jogadores de longe faltam ate desistir não há dinheiro...se fosse a premios de jogos pela vitorias os resultados apareciam e os jopgadores tinham de ganhar para receber algum... ja não se joga com amor ás camisolas mas pelo dinheiro.....

1:50 a.m.

 
Anonymous Anónimo said...

é muito falar e no fim não chega a fazer mais da metade razão falta de dinheiro como se

10:11 p.m.

 

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